ROSEANA SARNEY PASSA PELA REGIÃO DO BAIXO PARNAÍBA INDIFERENTE AOS GRAVES CONFLITOS PELA POSSE DA TERRA
Aldir Dantas on
A FETAEMA e a Igreja Católica continuam defendendo homens e mulheres do meio rural.
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Católicos e trabalhadores rurais sem terra para trabalhar |
O Movimento Sindical Rural que
já tinha motivos mais do que suficientes em manifestar a sua indignação contra
o Governo do Estado, ficou revoltado com a tentativa de manipulação feita pela
governadora Roseana Sarney, durante a sua passagem pela região do Baixo
Parnaíba, com o governo itinerante. A desgraça, a fome, a exclusão social
e a expulsão de milhares de famílias de pelo menos nove municípios foram
proporcionados pelo agronegócio do eucalipto com ações perversas do grupo
Suzano Papel Celulose. Os frutos nativos do cerrado, como o piqui, o bacuri e
enormes áreas de babaçuais estão sendo destruídos para o plantio do eucalipto.
A manipulação foi decorrente da distribuição de sementes
ou grãos melhorados feitos pelo governo a alguns trabalhadores e trabalhadoras
rurais, em período fora de época para o plantio. A
desconfiança é de que não seja realmente semente, que será determinada com os
resultados. A semente selecionada permite 100% de germinação,
enquanto o grão melhorado, muitas vezes não chega a 40% e a produtividade é
inexistente, o que causa prejuízos e frustração aos pequenos agricultores, uma
vez que há registros de inúmeras distribuições de grãos como sementes. Um
líder sindical observa, que na prática são distribuídos grãos adquiridos de
empresários do agronegócio ligados ao governo. Infelizmente o governo não tem
respeito à pequena agricultura, além de não fazer nada por ela, ainda procura
prejudicá-la, quando não fala de assistência técnica e arrecadação
de terras devolutas que estariam incorporadas ao patrimônio do grupo Suzano
Papel Celulose, e que seriam de conhecimento do Iterma.
O agronegócio do eucalipto e da soja ainda não expulsou
um maior número de famílias devido à luta em defesa dos direitos e da
dignidade de homens e mulheres do meio rural pela FETAEMA e pela
Igreja Católica, mas existem conflitos pela posse da terra, inclusive com
denuncias de fraudes praticadas em cartórios. A região tinha um
grande potencial hídrico, mas os mais de 90 mil hectares de eucalipto acabaram
com os recursos naturais, e a tendência é que o problema venha a se agravar,
principalmente pelas perfurações de poços artesianos para atender a demanda dos
grandes viveiros de mudas do agronegócio do eucalipto. Como eles são protegidos
do governo, tudo podem e devem continuar impondo regras na região do Baixo Parnaíba,
mas com a resistência do Povo de Deus e das entidades da sociedade civil
organizada.
A verdade é que o Executivo, o
Legislativo e o Judiciário, são indiferentes à problemática dos conflitos agrários
e as ameaças de morte de trabalhadores e trabalhadoras rurais continuam
aumentando. As denúncias feitas pela FETAEMA e pela Igreja Católica é
que 49 pessoas estão na mira de armas de fogo de pistoleiros de fazendeiros,
grileiros e de empresários do agronegócio.
Muitas pessoas já perderam a vida, outras tiveram suas
casas e roças consumidas pelo fogo, até mesmo escolas e Igrejas Católicas já
foram incendiadas. Não há providência de maneira alguma, uma vez que o aparelho
policial sempre é favorável aos grileiros, aos políticos e aos fazendeiros,
sendo que em muitas oportunidades chega a se unir com jagunços para
oprimir trabalhadores e trabalhadoras rurais. A indiferença dos poderes
constituídos para a problemática é tamanha, que se assassinarem hoje, amanhã
ou depois homens e mulheres do meio rural, não haverá nenhuma preocupação
por parte do governo, mas se em defesa da própria vida, um agricultor matar um
bandido travestido de político, fazendeiro e grileiro, veremos manifestações do
Sistema de Segurança Pública, do Executivo, do Legislativo e do Judiciário e
até sérios riscos de morticínios. Várias entidades se articulam para denunciar a violência
no meio rural do Maranhão a entidades internacionais dos direitos humanos.